25.7.08

FAO na Cimeira da CPLP: Há cinco milhões de pessoas subnutridas nos países lusófonos


O director do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), Jacques Diouf, revelou hoje que o número de subnutridos está a aumentar em todo o mundo, e que já atinge os cinco milhões nos países da comunidade lusófona (CPLP).

Os dados do relatório da FAO para 2007, foram avançados por Jacques Diouf na VII Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorre em Lisboa entre 25 e 26 de Julho.

“O aumento acelerado dos preços dos bens alimentares deve agravar a subnutrição do mundo, de acordo com as estimativas do relatório da FAO”, a publicar nas próximas semanas, referiu Diouf, numa intervenção em português.

“O número de subnutridos no mundo aumentou para 50 milhões de pessoas, das quais 5 milhões vivem em países da CPLP, em virtude dos preços dos alimentos”, disse o representante da FAO, na sessão de abertura da cimeira.

“A FAO mantém-se seriamente empenhada em continuar a partilhar os esforços dos países da CPLP para garantir a segurança alimentar dos seus cidadãos”, adiantou.

“Apesar dos milhares de dólares de donativos obtidos através de acordos bilaterais e multilaterais, é necessário reforçar esforços no sentido de permitir aos agricultores mais pobres o acesso a instrumentos necessários para o fortalecimento da produção agrícola”, afirmou.

Notícia: Lusa

Foto: Juan Carlos Guzman, EPA

3.7.08

Cabo Verde e Espanha assinam acordo de cooperação que inclui domínio do ambiente e gestão da água

Cabo Verde e Espanha assinam no dia 8 de Julho, em Madrid, um protocolo para um fundo de desenvolvimento, avaliado em cerca de 50 milhões de euros que cimentará a já significativa cooperação espanhola com o arquipélago.

O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, em Madrid, onde se encontrou com o seu homólogo, José Luís Zapatero. "Houve um aumento substancial da cooperação espanhola que triplicou de nove para 27 milhões de euros e que agora se consolida com este fundo de desenvolvimento", explicou, recordando a recente instalação em Cabo Verde da Embaixada de Espanha e de um gabinete da Agência de Cooperação Internacional de Madrid.

José Maria Neves referiu que o programa de cooperação espanhol abrange tanto o sector da imigração como o combate à pobreza e o ambiente, neste caso sobretudo no domínio da água e da recuperação da Ribeira Grande de Santiago.

"Hoje, a cooperação entre os dois países atingiu um nível de excelência. Há vários projectos a avançar e, com o pacote adicional, outros projectos podem ser realizados", frisou. A cooperação bilateral surge a par de um crescente investimento económico espanhol em Cabo Verde, tanto através de empresas das Canárias como da região da Galiza, com "fortes investimentos empresariais".

Fonte: Lusa

30.6.08

Moçambique: Portugal cria fundo de 83 milhões de euros para investimento em energias renováveis

As empresas portuguesas vão poder aceder a um fundo de 83 milhões de euros para investir, isoladamente ou em parceria com empresas locais, no sector das energias renováveis em Moçambique.

O acordo foi assinado em Maputo pelo ministro das Finanças português, Teixeira dos Santos, e pelo ministro da Energia de Moçambique, Salvador Namburete.

"Desde a cerimónia de reversão da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) em finais do ano passado, temos vindo a dar continuidade à busca de novas formas de reforço das nossas relações bilaterais e o acto de hoje testemunha isso", sublinhou Teixeira dos Santos, que realizou uma visita de três dias a Moçambique.

O memorando de entendimento assinado traduz um dos compromissos incluídos nos acordos que permitiram que a HCB passasse de Portugal para Moçambique, assinalou Teixeira dos Santos. "No fundo, este acordo visa a concretização de um compromisso assumido no quadro do acordo de reversão da HCB, que prevê a afectação de parte dos montantes envolvidos no acordo de transferência em projectos de investimento no sector energético", acrescentou Santos.

Para o titular da pasta das Finanças de Portugal, o acordo demonstra igualmente que "Portugal está profundamente empenhado no apoio ao desenvolvimento económico de Moçambique". Por sua vez, o ministro moçambicano da Energia destacou o facto de o acordo assinado "incidir fundamentalmente na produção de energias limpas, com efeitos reduzidos sobre o ambiente, em linha com as directrizes do Protocolo de Quioto".

Salvador Namburete disse ainda que "os critérios de selecção das empresas que vão aceder aos apoios previstos no memorando serão ainda objecto de elaboração por parte dos dois governos, mas com primazia para empresas que apresentarem modelos de produção compatíveis com a preocupação ambiental".

A GALP Energia e Visabeira Moçambique anunciaram recentemente uma parceria para a produção em Moçambique de óleos transformáveis em biocombustíveis, um projecto a ser implementado em oito anos, avaliado em 51 milhões de euros, que utilizará uma área que pode ir até aos 150 mil hectares no norte de Moçambique, possivelmente em Nacala, província de Nampula.

O desenvolvimento destas actividades ficará a cargo da Moçamgalp, empresa constituída pela Galp Energia e Visabeira, que procederá à identificação dos terrenos adequados à produção de oleaginosas, e à constituição de uma sociedade cujo objecto será o exercício da agricultura e actividades conexas.

A Moçamgalp vai ainda promover a construção de uma unidade industrial para produção de óleo vegetal que terá, em parte, como destino a exportação para Portugal, para processamento nas refinarias da Galp Energia, com vista à incorporação em combustível rodoviário como biodiesel hidrogenado, sendo a restante parte destinada à produção de biodiesel numa unidade industrial, a ser construída em Moçambique, destinada ao abastecimento local.

Além do acordo assinado com o ministro moçambicano da Energia e do perdão da dívida, Teixeira dos Santos assinou também um acordo de abertura de uma linha de crédito para Moçambique no valor de 100 milhões de euros, além de visitar empreendimentos sociais e económicos no país.

Fonte: Lusa

25.6.08

Huambo: FAO regista atraso no reconhecimento de títulos de direito consuetudinário

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) regista desde 2006, na província do Huambo, um atraso no reconhecimento de títulos de direito consuetudinário de 27 comunidades, com as respectivas terras já delimitadas.

A representante da FAO no Huambo, Alice Tempel Costa, revelou que, durante o processo que decorre nos municípios do Huambo, Caála, Longonjo e Ekunha, registaram-se apenas dois casos de conflitos de terras entre as comunidades e fazendeiros.

Tempel Costa assegurou que foi delimitada desde o início do projecto uma área de um milhão, 24 mil e 958 hectares, onde estão implantadas as 27 comunidades e habitam mais de cinco mil 850 famílias.

Alice Tempel Costa acrescentou que os processos foram encaminhados à Direcção Provincial de Urbanismo e Ambiente (DPUA). Aguarda-se o título de reconhecimento de direito consuetudinário, para permitir o desenvolvimento social e económico das respectivas comunidades, precisou.

“O reconhecimento do título do direito consuetudinário vai permitir que as comunidades, de forma organizada, recorram às instituições bancárias para terem acesso a créditos e desenvolvam as suas actividades, quer da agricultura, comércio e outras acções que contribuam para o desenvolvimento”, sublinhou.

A responsável referiu ainda que, desde o início do projecto de delimitação de terra nas províncias do Huambo, Benguela e Huíla, em 2006, a sua instituição disponibilizou mais de três milhões de dólares norte-americanos para a sua implementação, desde a formação até outras acções que concorrem para o seu êxito.

Alice Tempel Costa revelou que a sua instituição já formou dez técnicos especializados em delimitações de terras distribuídos nas três províncias que estão a beneficiar do projecto da FAO, um programa que está a registar mais êxito na província da Huíla, onde já se reconheceram muitos títulos de direito consuetudinário das comunidades.

Um curso desenvolvido pela FAO no Huambo dotou os especialistas de conhecimentos básicos e reforçou competências dentro dos quadros da instituição ligados à gestão e à posse da terra, bem como às técnicas de diagnóstico rural participativo e outros.

Iniciado em Agosto de 2006, o programa, que está a ser financiado pela União Europeia, deve terminar no próximo ano e visa capacitar os técnicos ao nível das províncias e municípios na gestão de terras e na divulgação da suas respectivas leis.

Na província do Huambo, os projectos estão a ser implementados nos municípios do Bailundo, Ekunha, Caála e Longonjo e na Huíla na Cacula, Caconda, Caluquembe e Quilengues, enquanto em Benguela nas localidades de Balombo, Bocoio, Caimbambo, Cubal e Ganda.

FONTE: ANGOP

22.5.08

Entrevista com Braima Biai: Guiné-Bissau aprova novo Regulamento da Lei de Terras


A Guiné-Bissau aprovou, a 20 de Março passado, um novo Regulamento da Lei das Terras, cuja elaboração teve o suporte técnico e financeiro da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). Num país essencialmente agrícola, a nova lei trará soluções para alguns dos problemas fundiários (como os conflitos entre agricultores e nas comunidades), mas o Governo trabalha agora para que o diploma passe da teoria à prática e seja implementado efectivamente, como explica, nesta entrevista, Braima Biai, da Direcção Geral de Geografia e Cadastro guineense. No terreno, as necessidades de formação são muitas, tanto para os técnicos do sector, como para os homens e para as mulheres, que são ainda limitadas no seu direito de acesso à terra.

Como caracteriza a Guiné-Bissau do ponto de vista fundiário e agrícola?
A Guiné-Bissau é um país essencialmente agrícola, tendo em conta a sua posição geográfica. Há anos atrás, o país não vivia problemas maiores ligados ao domínio fundiário, apesar dos numerosos grupos étnicos que ali habitam, já que cada grupo faz a gestão fundiária, conforme as suas regras tradicionais (usos e costumes), sem conflito com a lei moderna aplicável.

Mas, na verdade, quando a castanha de caju começou a ser comercializada na Guiné, começaram a surgir problemas ligados ao domínio fundiário. Esses problemas trouxeram à luz alguns conflitos outrora ignorados.

E o que foi que se tornou evidente?
Hoje, assiste-se a uma grande pressão de transformação na zona peri-urbana e urbana; a conflitos entre criadores de gado e a população residente de uma comunidade; a conflitos entre criadores de gado e ponteiro (agricultor). Há ainda conflitos entre os próprios agricultores, e entre estes e a comunidade. E também entre o ponteiro e algum elemento da comunidade.

Pode exemplificar alguns dos principais problemas fundiários na Guiné-Bissau?
Num contexto social, os problemas apareceram com o surgimento do valor comercial do caju, que obrigou a uma corrida desenfreada às terras. Houve uma apropriação de grandes terras para plantação de caju e o surgimento de disputas sobre terras dos antepassados (apesar da lei considerar a terra do Estado, mas com o direito de uso privativo para as pessoas singulares e colectivas). E como já expliquei originaram-se conflitos entre ponteiros e ponteiros, conflitos entre ponteiros e elemento da comunidade, etc.

Surgiu ainda uma necessidade de alargamento da zona urbana da cidade capital.

Em relação ao contexto legislativo e institucional, tenho a dizer que a lei da terra foi aprovada em 1998. Porém, só em 20 de Março de 2008, na Sessão de Reunião de Conselho de Ministros foi aprovado o Regulamento Geral da Terra. Contudo, ficou ainda por regulamentar a Ocupação de Terrenos nas zonas Insulares, Divulgação da Lei e do seu Regulamento, a implementação efectiva da Lei e do seu Regulamento, em particular as instituições fundiárias mencionadas no Regulamento, Comissões Fundiárias a nível Nacional (Regional, Sectorial e Secção).

Tendo em conta esses problemas que soluções se afiguram?

A resolução dos problemas fundiários passa, fundamentalmente, pela implementação efectiva da lei e do seu regulamento. Porém, é fundamental que se tenha em conta as diferentes realidades étnico-cultural dos diferentes grupos étnicos em matéria de gestão de fundiário (apesar da lei levar isso em conta).

As próximas medidas a serem tomadas estão relacionadas com a implementação da lei (divulgação da lei e do seu Regulamento, assim como as instituições referidas no regulamento).

O texto legislativo sobre a Regulamentação Fundiária, que irá colmatar grandemente as lacunas deixadas pela lei para regulamentação, tem um envolvimento legal de várias entidades e instituições, naquela que foi chamada de Comissão Fundiária. Existe ainda a revisão de Plano Geral Urbanístico de Bissau e o Plano de Ocupação de Solo das Cidades do interior. Também se aguarda a regulamentação específica da zona insular do País.

A formação e sensibilização de actores ligado ao domínio fundiário são acções importantes que merecem ser implementadas a curto prazo.

Quais são as principais potencialidades do país, no domínio fundiário?

As principais potencialidades do país no domínio fundiário foram acumuladas durante vários anos de experiência nacional ligada à elaboração de uma legislação fundiária (três tentativas), desde os anos 80, e que só se vieram a concretizar quase em 2000. A conciliação de duas regras de gestão de terras (moderna e tradicional) numa única (lei N.°5/98) demonstra a larga experiência obtida.

Apesar da sua pequena dimensão territorial o país dispõe de zonas ainda não exploráveis.

Nessa experiência obtida ao longo dos anos, com certeza tiveram o apoio de programas ou projectos internacionais. Pode destacar os de maior sucesso?

Os programas com maior sucesso foram o projecto de valorização dos Recursos Fundiários, financiado pela União Europeia, que envolvia os serviços da Agricultura e Serviços Cadastrais. Há ainda o Projecto Agro-Silvo Pastoril (PASP), financiado pelo Serviço Holandês da Cooperação. E destaco também o apoio financeiro e suporte técnico da FAO na regulamentação da Lei da Terra.

Na sua opinião, quais são as necessidades de formação, no domínio fundiário, mais urgentes para o país?

Podem resumir-se da seguinte forma: necessidade de actualização de cartas topográficas para zonas com maior incidência de problemas fundiários; formação no domínio de Sistema de Informação Geográfica associada aos programas ArcView e ArcGIs; gestão durável dos recursos naturais para apoio a Entidade Costumeira e instituições públicas; delimitação das terras das comunidades; técnicas de resolução de conflitos; sistema de cobrança de imposto fundiário e intercâmbio técnico.

Qual o papel da mulher guineense na gestão da terra e na agricultura? Considera que é pertinente a criação de programas/formações que apoiem o seu direito à terra?
Tendo em conta os vários costumes étnicos, a mulher guineense trabalha a terra do seu pai, enquanto não for casada, e depois a do marido quando for casada. Ela não possui terra própria, mesmo por herança, já que, normalmente, são os varões que herdam e gerem as terras dos pais. A mulher trabalha a terra, mas não decide nada sobre ela, porque tudo compete ao pai ou ao marido.

Porém, nos últimos anos na cidade pode ver-se a mulher com registo de terra em seu nome, o que raramente acontece nas zonas rurais.

São praticamente mais as mulheres que trabalham na agricultura do que os homens. Na Guiné, elas trabalham nas “bolanhas”, nas horticulturas e nos chamados “pampam”.

Já existiram projectos de enquadramento das mulheres nos trabalhos de hortaliças, financiados pelo FAO-Bissau. Mas é urgente a elaboração de um programa de sensibilização e formação da mulher guineense sobre os seus direitos de acesso e registo a terra, reservados pela lei.

A criação de um programa a nível da CPLP para reforçar a capacitação em matéria de terra é importante para a Guiné Bissau? Porquê?

Acho que é inquestionável a importância de um programa regional de formação a nível da CPLP. Para além de ser viável, constitui uma troca e rica experiência a ser acumulada por estes diferentes países que têm algo de comum em termos fundiários. Porque, na verdade, alguns dos problemas fundiários são idênticos em alguns países-membros da CPLP. O nosso envolvimento directo e a motivação que nos anima são provas de que acreditamos na sua viabilidade.

Apesar de algum avanço na matéria fundiária em Portugal e no Brasil, Angola, Guiné Bissau e Moçambique têm algo de comum e a experiência de cada um servirá de suporte para o outro.

Timor-Leste poderá evitar muitos erros na matéria fundiária se tiver em conta as lições do passado destes paises.

Brasil e Portugal poderiam ser os primeiros a proporcionar meios logísticos e financeiros, edição e distribuição dos manuais para formação local.

Por isso, considero que devem fazer-se esforços nacionais, em cada país-membro, no sentido da obtenção de fundos necessários para a viabilização do programa regional de capacitação em matéria fundiária.

Dia Internacional da Biodiversidade: Jornadas Abertas da Investigação Agrária em Cabo Verde

O Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário (INIDA), em Cabo Verde, recebe hoje e amanhã, as Jornadas Abertas da Investigação Agrária, no âmbito do Dia Internacional da Biodiversidade, que se assinala hoje 22 de Maio.



O Dia Internacional da Biodiversidade celebra-se, este ano, sobre o lema " Proteger a biodiversidade e assegurar a Segurança Alimentar". Segundo uma nota do Ministério da Agricultura, este é um dia de "reflexão importante para construção e tomada de consciência da importância do desenvolvimento da Agricultura sustentável na preservação da biodiversidade bem como na segurança alimentar, nutrição e crescimento económico, e o seu papel no aumento da qualidade de vida das gerações de hoje e futuras e na redução da pobreza".
É neste quadro que o MAA organiza hoje e amanhã as Jornadas Abertas da Investigação Agrária e uma Exposição no INIDA, na ilha de Santiago.

O encontro, que será aberto pela ministra da Agricultura cabo-verdiana Madalena Neves, às 9 horas de hoje, tem por "objectivo a promoção de sinergias entre os parceiros do sector agrário (agricultores, ONGs, técnicos do MAA e de extensão, etc)".

Para o MAA será ainda uma oportunidade para partilhar e discutir as principais actividades e ganhos do sector de investigação e a sua importância na valorização agro-biodiversidade e apresentação dos resultados da Investigação e inovação tecnológica no domínio da agricultura.

21.5.08

Huambo: Curso sobre delimitação de terras entra na parte prática

Os técnicos das províncias do Huambo, Huíla e Benguela que participam desde o dia 19 de Maio no curso de formadores em delimitação de terras iniciaram no dia 23 trabalhos de campo nas comunidades de Vissaca e Calue (Cáala).

A chefe da antena no Huambo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) deu a conhecer que durante os quatro primeiros dias os participantes recapturam os conhecimentos sobre as técnicas de diagnóstico rural participativo (DRP). Aprofundaram aspectos relacionados com o uso de GPS, como desenhar croquis de localização, as noções pedagógicas para ser um bom formador, entre outros.

Referiu que, no campo, os técnicos pertencentes as instituições do Estado e de Organizações Não Governamentais, que trabalham neste ramo de terra, vão aperfeiçoar as metodologias de sensibilização da comunidade, organização e delimitação. Por seu turno, o representante da FAO em Angola, Anatólio Ndong Mba, deu a conhecer que, dentre as várias actividades do projecto terra, verifica-se uma componente de capacitação, com a finalidade de criar e reforçar competências dentro dos quadros das instituições ligadas à gestão e posse da terra, de modo a implementar delimitações de terras nas comunidades rurais de forma eficiente e segura.

Revela que o resultado final de tal prática é a segurança dos direitos das comunidades rurais angolanas, bem reconhecidos pelo Governo angolano através dos diplomas legais referentes à terra. "Todos sabemos da importância deste momento para o país e para a sociedade angolana e dos reflexos futuros positivos na produção alimentar. A partir do domínio da metodologia participativa de delimitação de terras, como a que ora propomos, implementada com sucesso em diversos países, inclusive Angola, será possível o fomento de maior desenvolvimento rural, que é de suma importância para a nação", frisou.

Com o objectivo de capacitar os técnicos para futuras formações em delimitação nas diversas províncias, o curso conta com a parceria da União Europeia e termina a 6 de Junho.

Fonte: ANGOP

Angola: Governo Provincial do Huambo, FAO e CE realizam curso de formadores em delimitação de terra

O curso Delimitação de Terras, uma Perspectiva para o Desenvolvimento iniciou na província do Huambo, em Angola.

Financiado pela Comissão Europeia (CE), é organizado pelo Governo Provincial do Huambo em colaboração com a CE e a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). A iniciativa faz parte do Projeto Terra, enquadrado no Programa de Segurança Alimentar da União Europeia (UE), que destinou um investimento da ordem de 2.750.000 euros ao projecto.

Este curso tem uma carga simbólica muito representativa. A escolha de uma faculdade – lugar da busca do conhecimento e do diálogo - para sediá-lo demonstra a sua importância, não só para os participantes, como para a toda a sociedade”. A afirmação é de Anatólio Ndong Mba, representante da FAO em Angola.

O dirigente sublinha o facto de que serão formados multiplicadores do conhecimento na técnica do Diagnóstico Rural participativo (DRP), o que significará a ampliação nas províncias dos quadros capacitados a implementar as delimitações de terra.

A cerimónia de abertura aocnteceu no dia 19, no auditório da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA), em Huambo, com a presença do vice-governador da Área Social de Huambo, Agostinho Ndjaka, do vice-decano da Faculdade de Ciências Agrárias, José Pedro e do Representante da FAO no país, Anatolio Ndong Mba.

O curso termina a 6 de junho na FCA em Chianga - Huambo.

Terá entre seus facilitadores João das Chagas Miguel Barros Jr., Director do Gabinete Jurídico do Governo Provincial de Huíla e Mestre em Ciências Jurídicas pela Academia Russa de Relações Internacionais de Moscou; a Sra. Rita Soma, Chefe de Secção do Ordenamento de Engenharia Rural e Produção Agrícola da Huíla e Alice Tempel Costa, Consultora Internacional da FAO do Projeto Terra em Huambo e Mestre em Cooperação e Desenvolvimento pelo University Institute for Advanced Study of Pavia.

Participam da formação técnicos do IGCA, ADRA, DPDRPA, COPOLUA das três províncias (Huambo, Benguela, Huíla) e ONGs.

Após a conclusão do curso, esclarece a Consultora Internacional da FAO, os técnicos estarão aptos a utilizar uma metodologia de delimitação, já testada e validada, que teve a participação das comunidades no processo. E, principalmente, poderão elaborar programações específicas para cada província preparar os seus próprios instrutores e monitores. Estes poderão, depois, ampliar a divulgação e a assimilação da Lei de Terras e o seu regulamento, tanto nos municípios, como junto das ONGs que actuam em delimitação de terra das comunidades.

Texto: Clara Pugnaloni

Mais Informações:

Anatolio Ndong Mba, contacto: 222327108;
Alice Tempel Costa, contacto: 241223730

24.4.08

Évora acolhe I Encontro Luso-Angolano em Economia, Sociologia e Desenvolvimento Rural

A Universidade de Évora, no sul de Portugal, acolhe entre 16 e 18 de Outubro de 2008, o I Encontro Luso-Angolano em Economia, Sociologia e Desenvolvimento Rural. A organização é do Centro de Estudos e Formação Avançada em Gestão e Economia (CEFAGE), Centro de Investigação em Sociologia e Antropologia (CISA), Instituto de Ciências Agrárias Mediterrânicas (ICAM) e, Federação das Associações Angolanas em Portugal (FAAP).

Este Encontro tem como principal objectivo dinamizar acções de cooperação e parceria entre instituições públicas e empresas privadas, de Angola e Portugal, no âmbito da Economia, Sociologia e Desenvolvimento Rural.

Pretende-se, concretamente, reunir técnicos de Angola e Portugal para que, em conjunto e de uma forma integrada, reflictam e debatam sobre os actuais problemas e perspectivas a curto e longo prazo naquelas áreas, tendo em vista encontrar formas eficazes de cooperação entre os dois países, nos domínios acima referidos.

Para se inscrever ou se candidatar à apresentação de uma comunicação pode contactar a Comissão Executiva do evento pelos emails: leonor@uevora.pt; mgraca@uevora.pt; mosantos@uevora.pt

Informações complementares estão disponíveis no site do Encontro (www.ela.uevora.pt).

21.4.08

ICARRD renova site

O site da Conferência Internacional sobre a Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural , considerado um instrumento de investigação vital no domínio fundiário, foi actualizado. O evento foi organizado, em parceria, pela FAO e pelo Governo brasileiro.

Esta conferência realizou-se entre 7 e 10 de Março de 2006, em Porto Alegre, no sul do Brasil, e terminou com a adopção de uma Declaração final que solicita aos governos de todo o mundo a implementação de políticas de desenvolvimento rural que promovam programas de reforma agrária a favor dos paises mais pobres e marginalizados. A Conferência reafirmou que a terra e o acesso aos recursos naturais são a base do desenvolvimento rural sustentável e uma garantia da conservação cultural e meioambiental.

Participaram nesta conferência mais de 1500 delegados, de cerca de 150 países.

O site do ICARRD contém uma extensa base de dados com documentos produzidos durante a conferência e estudos de referência nos domínios Florestal, Legal, Desenvolvimento Rural, Desenvolvimento sustentável, Pecuária, Género e Outros.