18.1.08

Timor-Leste enfrenta dificuldades devido à ausência de leis fundiárias

A iniciar a série de entrevistas com os representantes dos Governos dos países lusófonos que estiveram no atelier da Praia, o blog CPLP-FAO ficou a conhecer as preocupações e desafios que enfrenta Timor-Leste no domínio das terras. Octávio Almeida, do Ministério da Agricultura de Timor-Leste, explica que o principal problema deste país é o vazio legal no sector: não há leis fundiárias, nem regimes sobre o direito das terras. No entanto, o país tem conseguido gerir os conflitos com base no diálogo e entendimento entre os líderes comunitários, que têm um papel regulador no domínio das terras. Dos outros países da CPLP, Timor espera o máximo apoio, já que, salienta Octávio Almeida, a cultura socio-económica do país está desenquadrada da região em que se insere (sul da Ásia) e aproxima-se muito mais dos padrões do mundo lusófono, dados os laços históricos.




Quais são os principais problemas fundiários de Timor-Leste?

São vários:


  • Não existe ainda uma lei fundiária sobre os direitos da terra;

  • Não há, nomeadamente, registos de terra;

  • Não há um sistema bem definido sobre a posse da terra;

  • A atribuição de terra no país ainda é dominada pelos usos e
    Costumes tradicionais;

Explique-me, na prática, quais são algumas dessas dificuldades e que medidas se estão a tomar para alterar a situação.

Na prática, a principal dificuldade é a inexistência de lei sobre os direitos de terra, que permita um bom regulamento e funcionamento dos direitos da terra. Para tentar alterar a situação, o Ministério da Justiça e a Agência Internacional USAID trabalharam juntas e elaboraram o Programa sobre Legislação de Terras sob a Direcção Nacional de Terras e Propriedades do Ministério da Justiça. Este estudo sobre os direitos da terra em Timor-Leste permitiu lançar algumas recomendações para que o governo possa elaborar uma lei fundiária.

Quais são as melhores qualidades de Timor, no domínio fundiário? Que programas destaca nessa área?

Neste momento, podemos dizer que, em todo o Território de Timor-leste, ainda não há grandes problemas e disputas sobre a terra. Isto acontece porque o domínio da terra baseia-se nos usos e costumes tradicionais e quando há resoluções a tomar e disputas a resolver ou problemas de terras quem intervém são os líderes tradicionais a nível de aldeias e sucos.


Um dos programas mais importantes criados a este propósito é o que estabelece os poderes aos líderes comunitários, que, em Timor-leste, é conhecido como o Conselho do Suco (isto é, uma estrutura a nível dos sucos compostas pelos membros da comunidade eleitos).

Na sua opinião, quais são as necessidades de formação, no domínio fundiário, mais urgentes para o país?

As necessidades de formação mais importantes em relação ao domínio fundiário no país são:



  • A capacitação para a Instituição da Direcção Nacional de Terras e Propriedades para que possam exercer as suas funções de coordenação e gestão dos trabalhos fundiários (administrativos).

  • Capacitação sobre métodos de registos de terras e propriedades.

  • Capacitação para a Gestão de terras agrícolas

  • Capacitação para técnicas modernas sobre a topografia e cartografia

  • Capacitação para os Líderes Comunitarismos sobre o direito de terra e as suas funções.

O pessoal-alvo desta capacitação seriam os técnicos da Direcção Nacional de Terra e Propriedade, os técnicos de Sistema de Informação Geográfica da Direcção Nacional de Política e Planeamento do Ministério da Agricultura.

Qual o papel da mulher timorense na gestão da terra e na agricultura? Considera que é subjugada e que é pertinente a criação de programas/formações que apoiem o seu direito à terra?

A mulher timorense desempenha um papel importante, sobretudo na gestão de terra para a produção da família e para a garantia da segurança alimentar. As mulheres nas áreas rurais envolvem-se directamente, com os outros membros da família, no processo de produção agrícola, isto é, na selecção de sementes, no cultivo, na colheita e no armazenamento de produtos.
É claro que é necessário criar programas e formações para as mulheres de Timor-leste porque na prática diária, e mesmo no passado, na nossa história de resistência e luta contra a ocupação estrangeira, as mulheres foram importantes e determinantes na nossa libertação. Hoje a igualdade de género é um assunto importante no país, por isso consideramos e apoiamos a ideia de que as mulheres tenham o mesmo direito à terra que os homens.

A criação de um programa ao nível da CPLP para reforçar a capacitação em matéria de terra é importante para Timor? Porquê? Acredita que o programa é viável?



Sim. É muito importante porque em Timor-leste ainda prevalece, até agora, uma cultura social e económica influenciada pelos Portugueses, acaba por diferenciar o país da região onde se insere. Acredito que o programa será viável e que os países da CPLP que podem dar mais apoios são Portugal e o Brasil.

O facto de Timor ser o país mais afastado dos restantes países lusófonos pode ser uma dificuldade, ou não o é?



Apesar de ser mais afastado, isso não é uma grande dificuldade porque vivemos esta era da globalização.

26.12.07

Angola: FAO lança vídeo sobre projecto de delimitação de terras em San


A experiência da comunidade de San, em Angola, na delimitação das suas terras foi registada em vídeo. A FAO fez a primeira apresentação pública deste registo audiovisual, falado em português, a 7 de Dezembro, em Lubango, Angola.

A experiência de delimitação das terras de San, no distrito de Kibungo, iniciou há alguns anos atrás com uma campanha de sensibilização concretizada, no terreno, pela ONG OCADEC, diz Paolo Groppo, da unidade técnica do projecto.

Em 2005, apoiada pelo projecto com financiamento italiano OSRO/ITA/414/ANG, a FAO organizou uma capacitação com o tema "Uma delimitação participativa da Terra", envolvendo o território e a comunidade de San como experiência de campo. O seguimento desta experiência ainda é feito actualmente graças ao projecto GCP/ANG/035/EC, financiado pela Comissão Europeia.

O registo da terra, que abrange uma área de 1389 ha, foi oficializado em Abril de 2007, na Primeira Conferência de San, que decorreu em Lubango.

O vídeo produzido pela FAO ilustra os objectivos do projecto, a situação de San e como se contextualiza entre os territórios do Sul de Angola, a cerimónia da entrega do título e ainda que perspectivas existem para apoiar o desenvolvimento local.

Para obter exemplares deste vídeo deve contactar:

17.12.07

Cabo Verde: Deputados do MpD apresentam projecto-lei sobre bens e direitos do domínio privado do Estado e das autarquias locais

O maior partido da oposição em Cabo Verde, o Mpd, apresentou hoje, 17 de Dezembro, numa conferência de imprensa, na cidade da Praia, um projecto de Lei que vai levar para discussão na Assembleia Nacional do país. O projecto de lei permite a usucapião sobre bens e direitos do domínio privado disponível do Estado e das autarquias locais.

Por ser de interesse para os leitores do nosso blog, principalmente para os cabo-verdianos, publicamos na íntegra o documento elaborado pelo MpD. Para consultar clique aqui: "Projecto de Lei subscrito por Deputados do Grupo Parlamentar do MPD"

28.11.07

Países lusófonos intensificam cooperação para combater seca extrema

Entidades de vários países lusófonos defenderam, em São Paulo (Brasil), a necessidade de cooperarem no combate à seca extrema, um dos principais problemas que se regista em diferentes regiões do globo.



O encontro "Água para Todos" reuniu representantes do Brasil, Portugal, Cabo Verde, Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe, que apresentaram as diferentes experiências adoptadas actualmente no combate à seca." Essa troca de experiências permitirá o lançamento de pontes para projectos de cooperação, uma forma de tomar contacto com diferentes realidades em relação a um tema comum", disse um dos organizadores do encontro.

Falando da experiência de Cabo Verde, o presidente do Instituto Nacional de Gestão dos Recursos Hídricos (INGRH), António Pedro Borges, realçou que a escassez de água é "um dos grandes desafios" do arquipélago, nos próximos anos. "Actualmente, grande parte do abastecimento é garantido por meio das águas subterrâneas que já começam a apresentar os seus limites", afirmou. Uma das poucas soluções encontradas pelo INGRH foi aumentar os investimentos para duplicar até 2010 o volume actual da dessalinização da água do mar. "Não há outra hipótese, uma vez que estamos a registar um grande aumento do consumo de água em Cabo verde, nomeadamente por causa do aumento dos investimentos da indústria hoteleira", disse Pedro Borges. Actualmente, a dessalinização é responsável por 75 por cento do abastecimento da Cidade da Praia e de 100 por cento da ilha de São Vicente."

Apesar do quadro dramático, Cabo Verde tem 85 por cento de cobertura de água potável, o que representa um dos maiores índices da África", afirmou o responsável. O encontro "Água para Todos" insere-se no VII Simpósio de Hidráulica e Recursos Hídricos dos Países de Língua Portuguesa (SILUSBA), promovido pela Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH) e pela congénere portuguesa, a APRH. Criados inicialmente em 1986 com o objectivo de discutir políticas luso-brasileiras de recursos hídricos, esses encontros periódicos foram alargados, a partir de 1994, com a inclusão dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP).

Fonte: LUSA

15.11.07

Um contributo para o Programa Regional de Capacitação

Vanda Narciso, investigadora portuguesa, que participou no Atelier da Praia, escreveu o que a própria chama de um contributo para o Programa de capacitação no domínio da terra dos países membros da CPLP. Um documento que podem aqui consultar.

29.10.07

Brasil desenvolve projecto-piloto de capacitação no domínio das terras

Prezados colegas e amigos,

Com muita satisfação acompanhamos os resultados do Atelier realizado em Praia e os seguimentos do mesmo.

A percepção de que o problema de capacitar e criar condições para desenvolvimento do capital humano nos distintos países venha a oferecer oportunidades adequadas para lidar com os problemas fundiários e demais decorrentes destes, é objecto central das nossas preocupações.



É com muito prazer que aproveitamos o espaço aberto, para informar sobre as atividades que estamos desenvolvendo no âmbito do Projeto FAO / MDA TCP / BRA / 3101 A através de uma proposta de capacitação com o enfoque de DTPN, a partir de um projeto piloto para dois Territórios localizados em dois estados brasileiros: Paraná (região Sul) e Rio Grande do Norte (região Nordeste).

Finalizamos a proposta metodológica de capacitação em torno do tema do desenvolvimento territorial, o que também gostaríamos de compartilhar com vocês. Algumas atividades precedentes para subsidiar a construção da metodologia foram realizadas êxito, como os diagnósticos dos dois Territórios e a realização de seminários estaduais para validação dos resultados dos mesmos.

No momento estamos montando o itinerário pedagógico para realização de quatro cursos a serem realizados para participantes que compõem os Colegiados (espaços coletivos de debate e negociação) dos referidos Territórios, dando prioridade aos agentes de ATER, mas considerando também os demais atores. Esta capacitação tem como objetivo que o conjunto destes atores possam vir a ter um desempenho mais adequado com as demandas de ações territoriais dentro de um processo de diálogo, participação e negociação, que busquem assegurar em última instância, um desenvolvimento qualitativo para a Agricultura Familiar.

Esperamos continuar no debate,

A equipe do Projeto FAO/MDA TCP / BRA / 3101

Pablo Sidersky
pablo.sidersky@consultor.mda.gov.br
Assessoria
Secretaria de Agricultura Familiar


Sevy Madureira

João Carlos Torrens

24.10.07

Enquadramento dos Direitos das Mulheres à Terra em Timor-Leste

Vanda Narciso, investigadora e coordenadora do Euro Info Centre, serviço de apoio e de informação comunitária às empresas do Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e ao Investimento - IAPMEI, em Portugal, participou no atelier, realizado na cidade da Praia, entre representantes da CPLP e a FAO.



Esta investigadora é licenciada em Eng.ª Zootécnica, Ramo de Extensão Rural, e fez uma pós-graduação em "Relações Internacionais" e outra em "Medicina Humanitária".

Este ano completou a parte lectiva do curso de mestrado em "Estudos sobre as Mulheres" na Universidade Nova de Lisboa e a dissertação que está a preparar para este curso pretende ser um aprofundamento do tema do trabalho (também da autoria de Pedro Damião de Sousa Henriques) que publicamos em baixo. A dissertação terá como título "Os Direitos das Mulheres à Terra no quadro dos Direitos Humanos - Uma leitura da situação em Timor-Leste" . Segundo a autora, este trabalho pretende "investigar até que ponto os Direitos Humanos podem ser mais um argumento a favor dos direitos das mulheres à terra e discutir as implicações de uma abordagem aos direitos das mulheres à terra baseada nos direitos humanos".

Para ler basta clicar aqui (é aconselhável gravar o ficheiro em PDF para uma leitura mais fácil, escolhendo no google docs a opção "Export as PDF"): ENQUADRAMENTO DOS DIREITOS DAS MULHERES À TERRA EM TIMOR-LESTE

18.10.07

Saudações do Projecto Terra em Angola!

O Projecto Terra-Angola da FAO e do Governo de Angola, financiado pela União Europeia, felicita esta importante iniciativa.



Das Províncias de Benguela, Huambo e Huíla, onde o projecto está a ser implementado, estivemos seguindo o vosso workshop. É incontestável que há um verdadeiro esforço de concretizar as recomendações da CIRADR. Ver que tais iniciativas mobilizam os três continentes é um grande sinal que nos encoraja no nosso trabalho do dia-a-dia de reforço das capacidades técnicas das instituições ligadas a posse e gestão de terra.

Aqui em Angola estamos levando uma importante experiência de assistência técnica e apoio institucional para uma gestão fundiária mais capaz de promover um desenvolvimento rural equitativo.

As actividades do Projecto Terra

Ate agora, estivemos formando técnicos das instituições parceiras do Projecto, assim como parceiros de organizações não governamentais nas duas vertentes fundamentais, para realizar delimitações de terras comunitárias: a utilização de Sistemas de Informação Geográfica e as metodologias do Diagnostico Rural Participativo, testadas com sucesso em diferentes países, e que estão em conformidade ao quadro legal de Angola.

As delimitações de terras comunitárias serão acompanhadas por uma campanha de divulgação da Lei de Terra e do Regulamento junto das comunidades, assim como de formação dos quadros das administrações locais, ambos organizados em parceria com uma série de parceiros não governamentais.



Paralelamente a estas formações, se realizou um encontro inter-provincial que envolveu representantes das administrações ligadas a terra das três províncias. O objectivo foi de promover a coordenação institucional e o diálogo entre as instituições e entre as províncias sobre quatro temas fundamentais: a importância da titulação de terras, o quadro legal actual, a metodologia participativa de delimitação de terras e os procedimentos administrativos para a emissão de títulos.

Também está prevista a progressiva criação dum Centro de Estudos de Terra na Faculdade de Ciências Agrárias de Huambo. No âmbito dos estudos fundiários, está em curso um estudo nas três províncias para entender de forma aprofundada as formas actuais de acesso à terra e as estratégias das famílias camponesas para proteger os seus direitos de acesso, posse e fruição da terra.

O espírito do projecto Terra

Alem de constituir um primeiro passo no sentido de dar segurança às comunidades no posse e fruição das terras que ocupam, trata-se também de despertar a consciência sobre os próprios recursos, sobre formas de transmitir os seus conhecimentos do próprio território, e desta forma iniciar um processo onde as comunidades tornam-se actor do seu próprio desenvolvimento, e não simples receptor de projectos decididos por acima.

Este processo será gradual necessitando apoios em formações quer ao nível das administrações locais como ao nível das comunidades.

O desafio é grande, mas Angola conta agora com um quadro legal e institucional favorável: uma Lei de Terra em vigor desde 2004, e o seu regulamento publicado há pouco menos de três meses, assim como um processo de desconcentração administrativa cuja aplicação progressiva está em curso.

Continuaremos informando dos momentos fortes deste projecto.

Força nos vossos trabalhos! Estamos juntos!

A equipa da FAO - Projecto Terra


Massimiliano Bellini – max.bellini@gmail.com

Cláudia Antonelli – antonelliclaudia@yahoo.fr

Marianna Bicchieri – marianna.bicchieri@fao.org

Leonardo Gallico – lgallico@libero.it

Recordando um acordo inédito assinado no Brasil

Um dos passos que antecedeu a realização do Atelier da Praia foi o encontro dos ministros da Agricultura da CPLP e a assinatura do projecto para o domínio da terra durante a II Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural, que reuniu delegações de 81 países em Porto Alegre, Sul do Brasil, entre 7 e 10 de Março de 2006.

No site Carta Maior, está disponível um vídeo em que representantes dos Estados lusófonos explicam de que se trata o projecto e de que forma pode beneficiar os países envolvidos.

15.10.07

Relatório do Atelier

O relatório do Atelier, contendo os discursos de abertura e encerramento e as principais ideias e conclusões que saíram do debate,para além dos contactos dos participantes, já está disponível no Blog.



Basta clickar neste link: http://docs.google.com/Doc?id=dggdrfm3_0dzzp72